Canetas - GLP-1 x Cirurgia Bariátrica: Qual a melhor opção?
- Adriano Leno Santos
- 12 de nov. de 2025
- 3 min de leitura
A evolução no tratamento da obesidade
Nos últimos anos, as medicações injetáveis que atuam sobre o receptor do peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1 (GLP-1), como a semaglutida e a liraglutida, transformaram a forma como tratamos a obesidade. Essas medicações promovem aumento da saciedade, menor ingestão calórica e melhora da regulação glicêmica, permitindo uma perda de peso média de 10% a 20% do peso corporal, conforme a dose e o tempo de uso. Enquanto isso, as cirurgias bariátricas — como o bypass gástrico em Y de Roux e a gastrectomia vertical (sleeve) — continuam sendo as intervenções mais eficazes e duradouras para obesidade grave e refratária, com perda de 25% a 35% do peso corporal e melhora metabólica expressiva. Ainda assim, tem se criado uma falsa ideia de disputa entre “as canetas” e “as cirurgias”, quando, na verdade, ambas caminham na mesma direção: promover saúde, controle metabólico e qualidade de vida.
Caminhos diferentes, mecanismos complementares
Apesar de diferentes, os dois métodos têm mecanismos que se cruzam. Após a cirurgia bariátrica, há um aumento natural da secreção de GLP-1, o mesmo hormônio mimetizado pelas medicações, o que contribui para saciedade precoce e controle glicêmico. Isso significa que as terapias não competem — se somam dentro do tratamento da obesidade, cada uma com seu momento e sua função.
Enquanto a cirurgia promove mudanças anatômicas e hormonais profundas, as medicações GLP-1 atuam de forma farmacológica, reversível e ajustável, sendo úteis para quem ainda não tem indicação cirúrgica ou busca uma alternativa menos invasiva.

Quando as duas estratégias se encontram
Hoje, há evidências robustas de que o uso de agonistas de GLP-1 após a cirurgia bariátrica pode ser benéfico para quem apresentou reganho de peso ou dificuldade de manutenção a longo prazo. Estudos mostram que, nesses casos, o tratamento pode gerar reduções adicionais de 8% a 12% do peso corporal, sem prejudicar a absorção de nutrientes.
Da mesma forma, o uso pré-operatório pode ajudar a reduzir riscos cirúrgicos, melhorar o controle glicêmico e até otimizar o resultado metabólico no pós-operatório. Portanto, as estratégias se complementam dentro de um plano global de cuidado — não há “melhor” ou “pior”, e sim a escolha mais adequada para cada pessoa, em cada momento.
A obesidade como doença crônica e multifatorial
A obesidade é uma doença crônica, complexa e multifatorial, influenciada por genética, microbiota, sono, alimentação, comportamento e contexto emocional. Por isso, nenhum tratamento isolado é capaz de resolver o problema sozinho. O papel do nutricionista e da equipe multiprofissional é individualizar o cuidado, considerando o perfil metabólico, as comorbidades, a adesão, as preferências e as condições de acesso.
O sucesso não está apenas na perda de peso, mas na construção de hábitos sustentáveis e qualidade de vida a longo prazo.
Dessa forma, a GLP-1 e cirurgia bariátrica não disputam espaço: são ferramentas distintas dentro do mesmo propósito — a recuperação da saúde e do bem-estar.
O verdadeiro avanço está em integrar ciência, empatia e personalização, respeitando a individualidade de cada paciente.
Obesidade é uma doença, não uma escolha. E todo tratamento válido, ético e baseado em evidência deve ser visto como um aliado, nunca como um concorrente.
Referências 1. Wilding JPH, Batterham RL, Calanna S, et al. Once-Weekly Semaglutide in Adults with Overweight or Obesity. N Engl J Med. 2021;384(11):989–1002. 2. Schauer PR, Bhatt DL, Kirwan JP, et al. Bariatric Surgery versus Intensive Medical Therapy for Diabetes — 5-Year Outcomes. N Engl J Med. 2017;376(7):641–651. 3. Dirksen C, Jørgensen NB, Bojsen-Møller KN, et al. Gut Hormones, Early Dumping and Resting Energy Expenditure in Patients with Glucose Tolerance after Roux-en-Y Gastric Bypass. J Clin Endocrinol Metab. 2013;98(9):E1144–E1152. 4. Lautenbach A, et al. Use of GLP-1 receptor agonists after bariatric surgery: a systematic review and meta-analysis. Obes Surg. 2023;33(2):345–359.
Dra. Ana Costa Nutricionista Clínica e Comportamental CRN-6 42207 Atendimento presencial e online — Recife/PE




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